Defesa de médico acusado de estupro durante exame rebate denúncias

FOTO: Antônio Cota

A defesa do médico Ricardo Aranha, acusado de ter estuprado uma paciente durante um exame de endoscopia em Valadares, diz que ele está preso com base em uma denúncia feita por uma paciente apenas, e não por cinco ou mais, conforme foi divulgado nas redes sociais. Desde o dia 15, o médico gastroenterologista está em prisão preventiva solicitada pela titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Adeliana Xavier, e pelo delegado regional Fábio Sfalcin. O suspeito permanecerá em prisão temporária durante os 30 dias da investigação policial.

O advogado Bruno Madeira explicou que o médico não realizou o exame sozinho com a paciente. “Vem sendo divulgado de forma inverídica que ele teria tocado na região das nádegas e próximo à genitália da paciente quando fazia o exame de endoscopia digestiva. A paciente dirigiu-se à clínica de forma espontânea, a partir de indicação de terceiros, em consulta previamente agendada, numa rotina normal de atendimento no início da manhã. Todo o procedimento foi acompanhado de forma ininterrupta por uma técnica em enfermagem, e no local também se fazia presente a secretária da clínica. E após a realização, a paciente foi direcionada à sala de descanso, onde estavam ainda outros pacientes que aguardavam liberação, o que é um procedimento padrão.”

Madeira ressalta que as colaboradoras da clínica ainda serão ouvidas no inquérito e que nenhuma perícia foi realizada no local até o momento. “Em virtude disso, as versões veiculadas são unilaterais, com indícios de prova superficiais e vulneráveis, os quais serão esclarecidos pela defesa do médico no processo, de forma técnica e contundente. Vale destacar que a conduta adotada pelo profissional seguiu de forma rigorosa todo o processo clínico indicado para o tipo de caso, em que a paciente alegou crônico quadro de gastrite há cinco anos em consulta inicial, motivo pelo qual foi recomendada a realização do exame, feito no próprio local.”

Ainda de acordo com o advogado, o médico colocou-se à disposição da Justiça e se apresentou à autoridade policial com total interesse em elucidar os fatos e contribuir com a investigação criminal. “Nesse contexto, cabe afirmar que em nenhum momento o acusado deixou de atender às solicitações e intimações realizadas pela Polícia Civil, motivo pelo qual rechaço veementemente qualquer acusação de fuga ou de que o mesmo tenha ‘se escondido’. E rechaço ainda qualquer tipo de veiculação que denigra a conduta do profissional, que durante toda a sua carreira preza pelos princípios previstos no Código de Ética Médica e demais normas pertinente”, concluiu.

A delegada Adeliana Xavier afirmou que a vítima, que seria virgem, teria acusado o médico após chegar em casa e notar um sangramento. “Ela narrou a situação a que foi submetida no exame de endoscopia, e durante o exame estava dopada. Quando chegou em casa foi ao banheiro e sentiu uma ardência na região vaginal. Quando olhou através de espelho, tinha lesão, uma ruptura da membrana do períneo. Foi quando ela procurou a delegacia, e tomamos as providências”, afirmou a delegada, ressaltando que foram constatadas através de exame por médico-legista lesões na região vaginal e uma ruptura na membrana do períneo, sem sêmen. Diante disso, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso. Segundo a delegada, outras duas pessoas teriam denunciado o médico em um inquérito policial em 2014. A delegada disse ainda que o acusado negou o crime. Ele disse apenas que a vítima teria “caído na quina da mesa, estava grogue, se desequilibrou e caiu, e assim pode ter se lesionado”.

Reportagem de Denise Fidélis / Diário do Rio Doce

COMPARTILHAR
Redação
Como maior ouvidoria popular de Governador Valadares, o Programa Valadares na TV se destaca por levar informação e conteúdo exclusivo de problemas e assuntos de nossa cidade.

Comentários no Facebook