Detentos trabalham com pedras semipreciosas em Governador Valadares

Cerca de 15 presos da Penitenciária Francisco Floriano de Paula á 30 dias estão participando de um projeto que pode dar uma escolha profissional para o futuro.

Os detentos aprendem técnicas de lapidação e criação de peças artesanais graças ao ‘Lapidar-se’, um projeto inédito no sistema prisional, fruto de parceria entre o Governo de Minas Gerais, o Judiciário, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a empresa Nevestones. Além de turmalinas, os presos alunos estão tendo a oportunidade de lapidar pedras brutas de baixo valor comercial.

Essa primeira turma do curso está tendo aulas durante a semana na própria penitenciária, sob a batuta de Maria Lúcia Barbosa, artista plástica que se formou na primeira turma da Escola Mineira de Joalheria. Ela se diz entusiasmada em ensinar um ofício tão delicado a pessoas privadas de liberdade.

“Eles estão aprendendo a transformar o bruto em belo. Vejo a transformação diária desses homens. Eles estão inteiramente motivados, são criativos e possuem muita habilidade manual. Sinto-me uma privilegiada. Tenho a sensação que estou aprendendo mais do que ensinando”, afirma a artista plástica.

É inevitável, na opinião de Maria Lúcia, associar o projeto à ideia de também lapidar pessoas excluídas do livre convívio social por terem cometido crimes. Isto é, dar qualificação profissional, mas também um novo sentido para a vida delas.

Seguindo esse mesmo conceito, a Nevestones, idealizadora do projeto, planejou, para o fim do curso, uma exposição em que as peças produzidas ficarão à venda, com a receita destinada às famílias dos presos.

Mudança

O aluno Vanderley Paulino, de 42 anos de idade, pensou mais longe e projeta disseminar os conhecimentos de lapidação na comunidade de origem, a reserva indígena Krenac, no município de Resplendor. Preso há cinco anos e meio, Vanderley mergulhou nas aulas de lapidação e é um dos mais dedicados da turma, segundo os técnicos do projeto.

“Esta é uma das mais importantes oportunidades da minha vida. Aprendendo esta profissão vou poder ensinar para outras pessoas da reserva. Quero aprender cada vez mais”, diz.

Mudar o curso da própria biografia também é a expectativa de Gilmar Lage Xavier, preso há mais de duas décadas, quando era um garoto de 19 anos de idade. Agora, aos 45, ele vê nas pedras a chance de se profissionalizar que não chegou a ter. “Quero ser um profissional, sair daqui com a chance de recomeçar, fazendo uma coisa que eu estou gostando muito”, afirma.

Mercado de trabalho

O diretor da Penitenciária, Wander Barros de Paula, considera a lapidação como possibilidade de dar ao egresso do sistema prisional uma ocupação mais qualificada do que o trabalho braçal dentro de um mercado regional que já existe. “Como a nossa região tem grande oferta nesta área, é uma ótima oportunidade para os detentos”, argumenta.

Quem também aposta no sucesso do projeto Lapidar-se é Paulo Sérgio Pereira da Silva, lapidário profissional há 40 anos. Ele confessa que reagiu com certo receio ao receber o convite para dar aulas para presos, mas diz que bastaram as primeiras aulas para se tranquilizar. “Posso dizer, com certeza, que em 15 dias de curso eu já tinha lapidários na turma. Eles são extremamente dedicados. Foi uma grande e grata surpresa pra mim”, conta Paulo Sérgio.

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Redação
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