Diretor da UFJF-GV diz que o problema enfrentado no campi é a “Síndrome da Empurroterapia Crônica”

Erros de planejamento da Administração Superior e do Ministério da Educação, desde 2010, associados a atual crise econômica, são alguns dos motivos do campi estar enfrentando problemas, disse o diretor da UFJF-GV.

O Movimento Estudantil Odonto UFJF/GV decretou greve estudantil nesta segunda-feira(29), durante a realização de uma assembleia geral com os alunos do curso de odontologia, devido às péssimas condições do Campus Avançado da Universidade Federal de Juiz de Fora em Governador Valadares.

O campus da Universidade em Governador Valadares foi criada no ano 2012 com uma infraestrutura rudimentar. O curso de Odontologia desde então sofre com o descaso dos responsáveis, reitoria, governo federal e municipal. Como medida paliativa as instalações do campus estão alocadas em 3 instituições privadas que tem limitação de horário e espaço.

Em manifestação os alunos paralisaram o transito da Av. Dr. Raimundo Rezende em frente à um dos prédios alocados pela universidade onde funciona a secretaria do campus. Veja as fotos:

A redação do Valadares na TV conversou com alguns representantes do Movimento Estudantil Odonto, onde eles nos apresentou todos os pontos que motivaram a greve estudantil.

Eles nos explicaram que o aprendizado e o atendimento a população feita pelos alunos é prejudicada principalmente pela falta de materiais de consumo nas clínicas como álcool, papel para esterilização e resina. A universidade possuí apenas um laboratório de próteses o que inviabiliza as aulas práticas dos alunos desde o período passado (2015.1), além de impedir a finalização dos tratamentos oferecidos pela Universidade.

Os alunos enfrentam uma jornada acadêmica diária de 14hs, em 3 locais diferentes. O deslocamento dos professores e principalmente dos alunos é difícil, bem como a logística dos prontuários, que acabam se perdendo, prejudicando o andamento das clínicas.

Durante a noite um dos locais que os alunos precisam frequentar é de difícil acesso. O local é perigoso e vários alunos já foram assaltados.

Os locais atualmente usados como clínicas, não comportam os alunos do próximo período que se iniciará em maio deste ano, e até agora nenhuma medida foi tomada para providenciar outro espaço.

A biblioteca da Universidade não possui uma totalidade de livros necessários para o ensino, muitos deles são caros e os alunos não usufruem de condições para adquiri-los.

Thainara Gomes é representante de turma do 7° período do curso de odontologia, e se sente extremamente frustrada com a situação de abandono que o Campus Avançado de Governador Valadares se encontra.

“Temos um Campus cheio de problemas em todos os cursos, no entanto, o curso de Odontologia possui problemas que nos impedem de prosseguir com o período, não temos nem se quer materiais básicos nas aulas. Buscamos melhorias para prestarmos um serviço de qualidade para a comunidade valadarense.”

– Thainara Gomes, aluna do 7° período da Faculdade de Odontologia UFJF/GV.

O movimento pede ajuda para ganhar visibilidade para que os problemas sejam solucionados:

“Estamos impossibilitados de prosseguir nossas atividades clínicas devido a falta de uma infra-estrutura básica do curso que compreendem urgentemente um Laboratório de Prótese, Materiais e Clínicas. São inúmeras as demandas, mas precisamos da resolução imediata das três já citadas para normalizarmos as atividades. A Odonto UFJF/GV tem se organizado e manifestado a sua indignação, bem como exigido as providências necessárias. Nesse sentido, precisamos do apoio de todos para que o nosso movimento ganhe maior visibilidade. Nos ajude a lutar por melhorias na qualidade da educação superior pública.”

– Jean Lemos, aluno do 7° período da Faculdade de Odontologia UFJF/GV.

Em contato com Peterson Andrade, diretor do campus avançado de Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora, ele considerou as reclamações dos discentes necessárias e legítimas, pois presencia na universidade uma grave “Síndrome da Empurroterapia Crônica” desde o processo de implantação deste campus: o ponto cego da universidade.

Ele disse que os erros de planejamento da Administração Superior e do Ministério da Educação, desde 2010, associados a atual crise econômica, foram integrados com constantes mudanças internas na universidade (Reitoria, Pró-Reitoria de Planejamento e Direção do campus). Além disso, a distância das unidades acadêmicas entre os campi da UFJF (Governador Valadares e Juiz de Fora) e a carência de recursos federais agravaram o quadro.  A falta de um  envolvimento efetivo e concreto da Administração Superior com o campus de Governador Valadares provocou este cenário.

O Departamento de Odontologia, Representantes Discentes e Direção do campus buscaram soluções junto a Faculdade de Odontologia, Pró-Reitoria de Planejamento e Reitoria da UFJF. Além disso, a Direção do campus buscou soluções em visitas e solicitações formais para o Ministério da Educação, Ministério da Saúde e  Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Uma Audiência Pública foi realizada na  Comissão de Educação da Câmara dos Deputados para alertar sobre a situação de emergência do campus de Governador Valadares em 03 de Dezembro de 2015. Nesta oportunidade, o Ministro da Educação foi convocado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Sr. Jesualdo Pereira Farias, representou o Ministro e tomou conhecimento da realidade do campus.  O conteúdo da apresentação pode ser consultado no aqui: ACESSAR

No dia 05 de fevereiro, os conselheiros do Conselho Superior da UFJF receberam o Memorando 13/2015 em que a Direção do Campus de Governador Valadares decretou Estado de Calamidade Acadêmica e Situação de Emergência Administrativa. Foram esgotadas todas as possibilidades para alertar sobre os problemas administrativos encontrados nestecampus universitário. Foram buscadas alternativas junto a Administração e Conselho Superior da UFJF, MEC, Ministério da Saúde e Câmara dos Deputados. Diante das ações, os poderes Executivo e Legislativo foram alertados sobre a situação do campus.

Peterson também ressaltou que é preciso aprimorar a parceria com o município de Governador Valadares. Sem esta parceria efetiva existirão mais dificuldades no campus.

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Redação
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