Em relatório, auditores fiscais denominam tragédia de Mariana como “Desastre construído”

Foto: Reprodução/TV Globo

Quase seis meses após o rompimento da barragem de fundão, em Mariana, na região central de Minas Gerais, um relatório elaborado por auditores da Superintendência Regional do Trabalho aponta erros de engenharia e de gestão como causas da tragédia.

No relatório de fiscalização sobre o acidente de trabalho provocado pelo rompimento da barragem de fundão, controlada pela mineradora Samarco, os auditores resumiram a tragédia em “Um desastre construído”.

A análise realizada por nove profissionais começou no dia seguinte à tragédia que matou 18 pessoas e deixou 1 desaparecido. Os técnicos concluíram que o desastre não teve uma causa única, e sim uma combinação de fatores acumulados ao longo de sete anos.

Entre eles problemas na estrutura desde a construção da barragem em 2008, erosões internas ocorridas nos anos de 2010 e 2012 com complicações na fundação e problemas nas galerias de drenagem, surgimento de água no corpo da barragem ocorridas desde 2013, aparecimento de trincas de até 200 metros de comprimento na região do recuo do eixo feito para conter vazamentos na face esquerda da barragem, além de saturação do solo da região.

Mário Parreiras falou sobre irregularidades na Samarco (Foto: Reprodução/TV Globo)
Mário Parreiras falou sobre irregularidades
na Samarco (Foto: Reprodução/TV Globo)

O auditor fiscal Mário Parreiras, disse em coletiva que a empresa tentou corrigir os problemas mas os problemas eram tão grandes que as correções que foram tentadas se revelaram insuficientes para resolver o problema, “A barragem estava muito saturada, estava com muita água e drenar a parte profunda de uma barragem já saturada é praticamente impossível”, disse o auditor.

Os fiscais constataram ainda que dispositivos de monitoramento como medidores de umidade e indicadores de níveis de água estavam acima do normal, e foram desconsideradas nas análise da Samarco. Alguns destes equipamentos foram desligados para o novo alteamento da barragem, obra realizada quando o desastre ocorreu.

A ação resultou em 23 autos de infração contra a mineradora, destes, um referente à terceirização ilícita quando outra empresa atua na atividade fim do negócio, e 18 são relacionados à irregularidades na saúde e segurança do trabalho.

Mário também explicou que outra questão não avaliada pela empresa era o impacto que o desastre teria sobre as comunidades e ressaltou que felizmente o acidente ocorreu de dia, se a ocorrência fosse à noite muitas pessoas não teriam a oportunidade de correr, como fez aas que se salvaram.

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Redação
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