O ex-secretário de Minas Gerais, Narcio Rodrigues, preso na Operação Aequalis, em Belo Horizonte, por suspeita de desvio de verba (Foto: Reprodução/TV Globo)

 

O ex-secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais durante o governo de Antônio Anastásia (PSDB), Narcio Rodrigues (PSDB), foi chamado para prestar depoimento no Ministério Público do Estado, em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (1º). Ele foi preso durante a Operação Aequalis, na última segunda-feira (30), por suspeita de envolvimento em desvio de verba pública. Ele preferiu ficar em silêncio.

A operação investiga o desvio de verba pública que deveria ser destinada à Fundação Hidroex, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, entre 2012 e 2014, pasta de Rodrigues comandou entre 2010 e 2014. A fundação desenvolvia, em Frutal, no Triângulo Mineiro, um centro de pesquisas de recursos hídricos. A estimativa é que tenham sido desviados R$ 14 milhões.

Além de ex-secretário, Narcio Rodrigues também foi presidente do PSDB em Minas e deputado federal por cinco mandatos. O advogado Sânzio Baioneta disse que não vai se pronunciar porque o processo corre em sigilo.

O primeiro a ser ouvido nesta quarta-feira (1ª) foi o empresário português Hugo Alexandre Timóteo Murcho, diretor no Brasil da multinacional portuguesa Yser e da empresa Biotev Biotecnologia Vegetal Ltda. Os depoimentos se encerraram às 20h. O teor das oitivas não foi divulgado.

Murcho e Narcio Rodrigues chegaram à sede do MPE em um carro da Polícia Civil. Os dois estavam com o uniforme do sistema prisional de Minas Gerais e sem algemas. Eles cumprem prisão temporária, de cinco dias sendo prorrogável por mais cinco, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com o Ministério Público Estadual, Hugo Alexandre Timóteo Murcho é diretor da multinacional Yser, que produz material para laboratório. Ele também comanda a Biotev, do mesmo grupo português, que tem sede em São Paulo. A advogada dele não foi encontrada pela reportagem.

A operação encontrou indícios de superfaturamento em vários contratos, dentre eles o de venda de equipamentos. Os promotores querem comprovar que o grupo português cometeu crimes como peculato, corrupção, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na segunda-feira (30), seis pessoas foram presas ao todo, em Minas e em São Paulo. Dentre os detidos estavam Neif Chala, ex-servidor da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais; Alexandre Pereira Horta, engenheiro do Departamento de Obras Públicas de Minas Gerais; Luciano Lourenço dos Reis, funcionário da CWP Engenharia Ltda.; e Maurílio Reis Bretas, sócio administrador da CWP Engenharia Ltda. O presidente da multinacional Yser, Bernardo Ernesto Simões Moniz da Maia, é considerado foragido.

O senador e ex-governador Antônio Anastásia não é investigado, segundo o MP. No Grupo Yser, em São Paulo, nenhum diretor foi encontrado para falar sobre o assunto. Uma funcionária informou que Hugo Murcho é responsável pelo setor financeiro. Ela ainda disse que o presidente da companhia, tido como foragido, mora na Europa e não estaria no Brasil.

Irregularidades na Hidroex
Uma auditoria da Controladoria-Geral de Minas Gerais apontava, em abril deste ano, suposto dano aos cofres públicos devido a irregularidades na obra de um centro de pesquisa em recursos hídricos, em Frutal, no Triângulo Mineiro, durante o governo de Antônio Anastásia (PSDB), atual senador e relator da comissão especial do impeachment da presidente Dilma Rousseff. À época, a assessoria de Anastásia negou existência de crimes.

As irregularidades foram apontadas em reportagem do jornal Folha de S. Paulo, no dia 29 de abril de 2016, que citava que a controladoria auditou amostra de R$ 37,7 milhões da obra, ou 16% dos R$ 230 milhões do total do projeto. A Controladoria-Geral de Minas, órgão do governo estadual que atua na prevenção e no combate à corrupção, confirmou a informação ao G1. Ainda segundo o órgão, dessa parte, os auditores verificaram suposto dano aos cofres públicos no valor de R$ 18 milhões, ou seja, 48% do que foi apurado.

A obra do centro de pesquisas, chamado Centro das Águas – Hidroex, incluiu recursos estaduais, federais e tem parceira da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O ex-secretário disse em nota, em abril, que não teve participação no processo licitatório e no acompanhamento da execução de obras. Afirmou também que, caso haja, qualquer irregularidade ou desvio, a posição será sempre de pedir apuração criteriosa e punição dos eventuais culpados.

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