‘Fui confundida com prostituta na minha lua de mel, por estar com homem(marido) branco”

Mônica e o marido, Carlos Augusto Nobre, se casaram duas décadas atrás

Noemia Colonna De Brasília para a BBC Brasil

A servidora pública Mônica Valéria Gonçalves, de 47 anos, nasceu no Rio de Janeiro, tem dois diplomas de nível superior, trabalha como assessora de ministro em um tribunal em Brasília e é casada com um juiz.

Frequentemente viaja de férias para dentro e fora do país. Com a família ou amigos, vai a restaurantes estrelados e a eventos sociais de elite. Mora no Lago Sul, bairro nobre da capital federal, e leva uma vida típica de brasileiros que, como ela, fazem parte do 1% mais rico.

A diferença é a cor de sua pele. Ela é minoria nas estatísticas e muitas vezes a única negra “não serviçal” dos ambientes que frequenta. Em eventos sociais em que acompanha o marido, já foi confundida com secretária dele. Na academia, com funcionária.

“Me confundem bastante”, diz. “Na academia, é comum ver os negros fazendo o serviço de limpeza, dando aula ou atendendo na recepção. Fora dessas atividades, nunca vi outro aluno negro”, conta.

A “confusão” que mais a marcou, no entanto, ocorreu há 22 anos, quando passava lua de mel em Fortaleza.

“Meu marido e eu estávamos hospedados em um hotel de luxo. Fomos fazer um passeio na orla da praia, na noite da virada do ano, quando um homem tocou o meu corpo e me assediou abertamente. Levei um susto e gritei com ele, que se desculpou dizendo que achou que eu estivesse ali com um homem branco fazendo programa”, lembra.

“Não passou pela cabeça dele que aquele homem fosse meu marido, casado com uma bacharel em Direito e dona da própria renda”, diz. “É como se, como negra, eu não pudesse ser uma pessoa assim ou estar ali naquele lugar. Já fui assediada várias vezes, inclusive quando novinha. Cheguei a pensar que a culpa fosse minha.”

FONTEBBC Brasil
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Jucélio Araujo
Apresentador, 29 anos, na Tv Rio Doce há 11 anos, sendo 6 no Programa Valadares na Tv.

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