GV teve prejuízo de R$ 153 milhões após rompimento da barragem

Foto: Antônio Cota

O rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, completou três meses nesta sexta-feira e, desde então, já há a contabilidade de alguns prejuízos socioeconômicos que os municípios mineiros tiveram até o momento. A força-tarefa do Estado fez um relatório com dados apresentados pelos 35 municípios atingidos, o qual totalizou prejuízos de R$ 1 bilhão e 200 milhões, uma reflexão do que foi levantado até agora, mas que ao longo do tempo poderá ter novas demandas que devem alterar esse valor. Os dados de Valadares também impressionam. A cidade teve um prejuízo total de R$ 153 milhões em vários setores. Os detalhamentos dos prejuízos e do relatório foram apresentados à imprensa em entrevista coletiva na tarde desta sexta, concedida pela prefeita Elisa Costa (PT), acompanhada do diretor-geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Omir Quintino.

O relatório foi dividido em duas escalas: uma que compreende a região microrregional — com os municípios de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado — e outra macrorregional, que vai de Candonga até Aimorés, ou seja, o restante da bacia hidrográfica do rio Doce, que inclui Valadares. Dos 35 municípios mineiros atingidos, 32 enviaram relatórios, e nestes relatórios constam planilhas dos prejuízos socioeconômicos. Os prejuízos ambientais ainda estão sendo concluídos e vão fazer parte da grande ação civil pública federal, como também das indenizações e compensações.

A prefeita Elisa Costa disse que o relatório já foi entregue a quem de direito e que a construção da Estação de Tratamento de Água (Eta) Central está em discussão com a Samarco, medida que resolverá 70% do abastecimento de toda a cidade. “Em relação a Valadares, o relatório soma R$ 153 milhões de todos os prejuízos, o qual foi entregue ao Ministério Público, à presidência da Samarco e aos governos de Minas e Federal. Nos reunimos com técnicos e engenheiros da Samarco na semana passada para discutir o projeto da futura adutora. A discussão vai continuar, porque o percurso é longo — 22 km. Vamos ver quais serão os tipos de problemas — desapropriações, dificuldades de áreas de licenciamento ambientais e prejuízos da cidade. Essa futura adutora garante 100% do que a ETA Central é capaz de tratar, não resolve os problemas do Vila Isa nem do Santa Rita, mas resolve o nosso problema da ETA central, que é 70% de todo o abastecimento da cidade. Ela será feita no rio Suaçuí Grande. Existe o compromisso verbal da empresa, assumido inclusive na frente da presidente Dilma, do governador Pimentel e de ministros, mas não há nada escrito e assinado que assegure essa construção.”

A prefeita relatou que diversos setores foram afetados. “Constam neste relatório os prejuízos da agricultura familiar, agropecuária, dos ribeirinhos, pescadores, os areais; todos os que têm algum tipo de produção agrícola nas margens do rio Doce; ressarcimento à prefeitura pelos gastos e despesas até o presente momento, dentre elas a queda de receita do Saae, as horas extras trabalhadas com os funcionários, a troca da merenda escolar e uma série de outras despesas. Constam também os prejuízos da cidade na área econômica, no lazer… Todos os segmentos econômicos participaram da construção do relatório que entregamos e que serviu para o relatório da força-tarefa”, disse.

Na escala macrorregional, os danos econômicos públicos foram de R$ 140 milhões, sendo que de Valadares são R$ 134 milhões, 351 mil. Os danos econômicos privados foram na ordem de R$ 284 milhões, 410 mil — de Valadares são R$ 19 milhões, 72 mil. O Estado de Minas teve também um prejuízo contabilizado em R$ 12 milhões, 691 mil — gastos com equipes de trabalho, principalmente. No relatório da força-tarefa não constam valores de indenizações e compensações.

Fonte: Diário do Rio Doce

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Redação
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