Manifestantes fazem ato contra a Samarco em Governador Valadares

Grupo pede para participar nas decisões relativas à recuperação do Rio Doce. Retorno da distribuição de água mineral também foi exigida durante protesto.

Cerca de 50 pessoas protestaram na tarde desta quinta-feira (25) em Governador Valadares exigindo que a Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, restabeleça imediatamente a distribuição de água mineral nas cidades atingidas pela lama de rejeitos de minérios. A manifestação, convocada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), exigia ainda que as decisões relativas à recuperação do Rio Doce tenha a participação de membros das comunidades afetadas pelo desastre ambiental.

O coordenador estadual do MAB, Guilherme Camponez, diz que a empresa atende os atingidos apenas em pautas específicas, como o fornecimento de ração e silagem para o gado.”Mas o abastecimento com água mineral já foi cortado na maioria das cidades, as pautas estruturais como abastecimento alternativo de água, participação dos atingidos, indenizações, reativação econômica, nisso não tivemos resposta”.

Movimento de Atingidos por Barragens pede a participação da comunidade nas decisões da Samarco (Foto: Zana Ferreira/ GV)
Movimento de Atingidos por Barragens pede a participação da comunidade nas decisões da Samarco (Foto: Zana Ferreira/ GV)

Camponez comentou que o retorno da distribuição de água mineral é necessário, pois a população não confia na qualidade da água que vem sendo distribuída.  Ele afirma que, mesmo apos testes, a água está fora dos padrões de normalidade. “Você pode perguntar para qualquer morador das cidades atingidas, porque mesmo que tenha laudos de potabilidade, a água tá com gosto ruim e odor estranho. Pouco antes da tragédia tinha água boa e de qualidade. E agora não tem, fora as pessoas que tem apresentado coceira, feridas na pele. Então não vamos aceitar tomar essa água, enquanto não tiver um abastecimento alternativo, que aqui em Valadares seria no rio Suassuí Grande e Pequeno”, destacou Guilherme.

Moradora de um assentamento na zona rural de Governador Valadares, Teresinha Sabino de Souza explica que a situação dos produtores rurais piorou desde o rompimento da barragem. “Antes já tinha pouca água e o tempo seco, agora com esse desastre piorou. As margens dos rios, que eram úmidas e davam para produzir, hoje não dá. O gado que bebia água do rio está morrendo e a gente não tem como plantar às margens do rio, porque além da água estar contaminada, não temos irrigação”, conta.

Ela acredita que as mineradores têm a obrigação de atender as demandas emergenciais da população, além de recuperarem o meio ambiente.

Segundo a Samarco, a liminar que determinava a distribuição de água em Governador Valadares, foi suspensa e, assim, a empresa deixou de ser obrigada a distribuir água mineral no município.

A empresa alega que o tratamento de água em Governador Valadares foi restabelecido desde o dia 15 de novembro de 2015 e a água do Saae (Sistema Autônomo de Água e Esgoto) fornecida à população está dentro dos padrões de potabilidade definidos pela Portaria 2.914 de 2011, do Ministério da Saúde.  A Samarco disse ainda que uma adutora de captação alternativa de água do Rio Suaçuí Grande para a Estação de Tratamento de Água (ETA) em Governador Valadares está em estudo pela Prefeitura, Saae e Samarco.

FONTEG1 dos Vales
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Redação
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