O impasse da Greve

Após uma reunião realizada no final de fevereiro, os servidores municipais de Governador Valadares decidiram entrar em greve.

O motivo principal, relatado pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sinsem-GV), seria o não cumprimento da Lei Complementar nº 170/2014, que trata do reajuste salarial referente aos meses de outubro/2015 e janeiro/2016. Além do reajuste que não foi feito pela prefeitura, os servidores reivindicam melhores salários.

Conforme a Lei Complementar nº 170/2014 (Plano de Cargos e Salários), votado e aprovado pelos vereadores do Município, é previsto um aumento salarial nos meses de outubro e janeiro e, segundo a direção do Sinsem-GV, desde outubro do ano passado a prefeitura não tem cumprido com essa reposição.

Segundo a direção do sindicato alguns servidores lotados na Secretaria Municipal de Educação (Smed) foram surpreendidos com o bloqueio do cartão Big Card e, por este motivo, não conseguiram efetuar compras em vários estabelecimentos da cidade e que muitos servidores passaram por situações constrangedoras ao tentar utilizar o cartão. O Sindicato, procurou primeiramente, esclarecimento da empresa, no qual foi informado, que o bloqueio aconteceu pela falta de repasse por parte da Smed. Diante disso o Sinsem-GV decidiu acionar a Justiça para resolver o problema, já que nenhuma resposta teria sido dada a eles pelo município.

Ainda segundo o Sindicato o valor teria sido descontado normalmente do contracheque do servidor, o que, para a diretoria do Sinsem-GV isso configura em apropriação indébita — crime previsto no artigo 168 do Código Penal Brasileiro.

Em nota o Sindicato diz que tentou durante o mês de janeiro negociar com o Governo, mas não houve proposta por parte da Administração Pública, diz ainda que após adiar várias vezes, disse no início de fevereiro que não seria possível atender as reivindicações do Sindicato, na mesma nota o presidente do sindicato alegam que a greve não impede a negociação e que sua política principal é atender os anseios e defender os direitos dos servidores.

A Administração disse que a dúvida não é só da Prefeitura quanto a greve. É também dos próprios servidores. Já que dos quase 9 mil funcionários públicos de Valadares, apenas 110 aderiram à greve, pouco mais de 1% do total. São 50 da Educação, 58 da Saúde e 2 dos Serviços Urbanos.

Com uma reivindicação inviável, que exige o aumento de R$ 50 milhões na folha de pagamento anual, outras pautas surgem para tentar justificar o movimento grevista.
A Prefeitura de Valadares entende que a greve, quando justificada, é um direito do trabalhador. O que causa grande estranheza, neste caso, é que o Sindicato e a Administração estavam em plena negociação, inclusive com reunião já marcada para ontem, dia 16 de março, quando o Sindicato decidiu decretar greve e interromper o processo iniciado em janeiro, diz a nota publicada pela prefeitura em uma rede social.

A reunião do dia 16 foi cancelada pela prefeitura. E os diretores do sindicato se dizem abertos à negociação e esperam qualquer proposta da prefeitura o que não foi feito até o fechamento.

Por: Bell Oliveira

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