Oscar 2016: conheça os livros que deram origem aos filmes indicados

Obras que serviram para adaptações cinematográficas são lançados ou ganham reedições. Versões originais superam em detalhes e complexidade

A cada temporada do Oscar, as livrarias são tomadas pelos livros que deram origem aos filmes que estão na competição. Neste ano, dos cinco que concorrem a roteiro adaptado, apenas Carol, também chamado O preço do sal, de Patricia Highsmith, não é contemporâneo. Com o sucesso do longa estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara, o romance, de 1952, ganhou devidamente nova edição com imagem do filme de Todd Haynes.

Há ainda nas livrarias algumas narrativas de indicados que não entraram na categoria de roteiro. A história de sobrevivência do explorador Hugh Glass já era conhecida dos norte-americanos muito antes do filme O regresso. Existem, inclusive, meia dúzia de livros que retratam seus feitos no século 19. Mas foi um dos mais recentes, também chamado O regresso (Intrínseca, 272 páginas, R$ 39,90), que inspirou o cineasta Alejandro González Iñárritu.

Hugh Glass ganhou versão bravia interpretada por Leonardo DiCaprio
Hugh Glass ganhou versão bravia interpretada por Leonardo DiCaprio

Publicado nos EUA em 2002, o romance de Michael Punke vai muito além do que se vê na tela. A narrativa tem início quando Glass é abandonado pelos companheiros, assim como no filme. A partir daí, em flashbacks, o autor traça a trajetória do explorador até chegar ao rito de sobrevivência.

Ao contrário do que o filme mostra, Glass nunca se casou nem teve filhos. Teria tido uma noiva que morreu enquanto ele estava em uma de suas viagens. Pouco se sabe de concreto sobre sua história. Porém, todos os autores dão conta de que o personagem teria tido uma passagem como pirata. A tal luta com uma fêmea de urso, crucial no filme, é descrita de maneira quase descuidada por Punke. Há sequências de ação mais interessantes, como o confronto de Glass e barqueiros com índios arikaras.

Outra narrativa em tom biográfico é Trumbo (Intrínseca, 368 páginas, R$ 39,90), de Bruce Cook, cujo filme homônimo deu a primeira indicação a Bryan Cranston. O livro, na verdade, foi publicado originalmente em 1977, um ano após a morte do roteirista Dalton Trumbo. Com o filme, ganhou nova edição.

Bryan Cranston vive o controverso roteirista Dalton Trumbo
Bryan Cranston vive o controverso roteirista Dalton Trumbo

Autor dos roteiros de A princesa e o plebeu, Spartacus e Papillon, o integrante do Partido Comunista foi perseguido pelo macarthismo. Preso em 1950 e banido dos grandes estúdios, trabalhou clandestinamente, sob pseudônimo. Sem nunca delatar seus companheiros, passou maus pedaços, virando um símbolo da resistência. Sua carreira só foi recuperada a partir dos anos 1960.

Como toda adaptação cinematográfica, o filme cortou muito da história. O diretor Jay Roach privilegiou o período da perseguição ao roteirista. O livro vai além: traz boa parte da vida familiar do personagem. No entanto, o mais interessante é como Cook se coloca no livro, contando como foi o processo de sua escrita.

Outro relato de destaque é A garota dinamarquesa (Fábrica 231, 363 páginas, R$ 34,50), de David Ebershoff. O longa de Tom Hooper toma todas as licenças para levar a história ao cinema, da mesma forma que Ebershoff reconhece tê-lo feito. Em ambos, interessa mais o caso da transformação do pintor Einar Wegener em Lili Elbe e a relação com a mulher, Gerda, mas não necessariamente o desfecho. E eles, inclusive, são diferentes.

Indicado ao segundo Oscar da carreira, Eddie Redmayne vive a pintora transexual Lili Elbe
Indicado ao segundo Oscar da carreira, Eddie Redmayne vive a pintora transexual Lili Elbe

Comentários no Facebook