A polícia conseguiu elucidar o caso do assassinato de um professor de Governador Valadares, em Minas Gerais, que estava desaparecido desde o final de dezembro do ano passado e teve o corpo encontrado às margens de uma rodovia em Nova Venécia, no norte do Espírito Santo. Sem identificação, o corpo da vítima acabou sendo enterrado como indigente em Linhares, também no norte capixaba.

O suspeito de cometer o crime, Jucimarcos Camilo, de 30 anos, foi preso na última sexta-feira (13), durante uma abordagem policia, e confessou ter matado o professor Nelcino.

A abordagem ao suspeito ocorreu porque o carro que ele dirigia, que pertencia ao professor, ficou sem combustível na estrada que liga Nova Venécia a Vila Pavão.  Por acaso ele foi ajudado por policiais militares do município. Quando os PM’s verificaram a placa do veículo, viram que constava uma restrição por roubo.

Inicialmente Jucemar alegou que havia comprado o carro e foi encaminhado para Delegacia de Nova Venécia, onde foi autuado por receptação. Ele teve a fiança arbitrada em R$ 5 mil, mas como não pagou o valor, foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de São Mateus.

Ao entrar em contato com a Delegacia de Governador Valadares, a polícia do Espírito Santo descobriu que o veículo pertencia ao professor Nelcino, que estava desaparecido desde o dia 29 de dezembro. O suspeito acabou confessando o crime.

Jucimarcos alegou que reagiu após a vítima supostamente ter dado em cima dele. “Quando chegou em frente aos motéis, ele parou o carro de vez e já começou a gritar comigo, falando que tinha que ficar comigo naquele dia de qualquer jeito. Eu tentava sair e ele me segurava e ele era muito mais forte do que eu. Começamos a trocar tapas dentro do carro, socos, aquela coisa toda. Dei vários socos nele e ele também me deu três socos no rosto. Foi quando eu perdi a cabeça mais ainda”, contou.

O suspeito disse que nem cogitou a possibilidade de pedir ajuda à polícia. “No momento eu não pensei em nada, porque realmente eu fiquei nervoso. Nunca tinha acontecido isso comigo, nunca fui preso. Tenho a ficha limpa, graças a Deus. Sempre fui trabalhador. Mas eu fiquei nervoso e ele desmaiou. Daí eu peguei ele e o coloquei na poltrona traseira”, lembrou.

Jucimarcos garante que abandonou o professor Nelcino ainda vivo. “Chegando no Espírito Santo, na cidade de Nova Venécia, eu deixei ele num antigo lixão, com os pertences todos debaixo dele. Mas ele estava respirando, estava vivo ainda”, afirmou.

A última imagem do professor vivo foi registrada pela câmera de segurança de uma lanchonete, no centro de Governador Valaderes, já na madrugada do dia 30. Ele seria assassinado algumas horas depois.

Primeira abordagem

No último dia 4, Jucimarcos se envolveu em um acidente de trânsito com uma moto, no Espírito Santo. No entanto, mesmo com o carro estando registrado como desaparecido, ele conseguiu sair sem ser descoberto pela polícia.

“Existe um boletim de ocorrência, lavrado pela Polícia Militar de Nova Venécia, onde o Jucimarcos havia se envolvido em um acidente automobilístico. Contudo, naquela data, a Polícia Militar de lá não checou a questão do veículo, não fez o levantamento, na medida em que o veículo já estava gravado com impedimento de roubo”, destacou o delegado Fábio Sfalsin, responsável pela investigação do caso.

O suspeito conta que circulava normalmente com o carro desde a época do crime. “Isso [a abordagem] foi no mês passado. Então já tinha cinco meses que eu estava rodando com o carro”, contou.

Jucimarcos foi preso temporariamente, em Minas Gerais, por cinco dias. No entanto, a polícia já pediu à Justiça a prorrogação da prisão para 30 dias, que é o mesmo tempo que o inquérito demora para ficar pronto.

Enterro

O corpo do professor assassinado foi encontrado em um terreno, às margens de uma rodovia em Nova Venécia. Sem nenhum tipo de identificação, ele permaneceu no Instituto Médico Legal (IML) do município até o mês passado.

“Procedemos ao reconhecimento do corpo do professor Nelcino, que havia sido encaminhado para o IML de Linhares e, posteriormente, sepultado no cemitério como indigente, em razão da sua não identificação”, ressaltou o delegado.

De acordo com a polícia, o professor foi identificado por familiares, por meio de uma foto. No entanto, já está sendo colhido o material genético dos dois irmãos da vítima para que se possa fazer o exame de DNA, que comprovaria a identidade do corpo.

A família do professor deverá seguir para o Espírito Santo, ainda nesta semana, para levar o corpo de Nelcino para ser sepultado em Governador Valadares, sua terra natal.

Confira a entrevista coletiva em vídeo em que a Polícia Civil da detalhes do caso:

FONTEFolha Vitória
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Redação
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