Pressão aumenta no TSE para cassar mandato de Dilma

São Paulo - Polícia Federal chega a construtora Odebrecht na 23ª fase da Operação Lava Jato( Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Operação Acarajé serviu de combustível para turbinar o desejo da oposição de cassar a chapa eleitoral vencedora em 2014 Dilma Rousseff/Michel Temer. Na avaliação de ministros e ex-integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o envolvimento do marqueteiro João Santana em denúncias de corrupção agrava a já delicada posição do governo, que enfrenta também um processo de impeachment na Câmara. Para o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, a situação se torna “muito delicada”. Mas o magistrado pondera que é preciso aguardar a conclusão das ações e não antecipar desfecho. “Vamos ver como a relatora (ministra Maria Thereza Assis Moura) colocará a matéria e que prevaleça o direito posto. O que for melhor em termos de harmonia com o direito. Sem dúvida alguma são fatos relevantes e que terão de ser examinados pelo TSE. E a situação se torna, sob a minha, ótica muito delicada. Não podemos antecipar qualquer conclusão, qualquer desfecho”, analisou o ministro.

Três ações e uma representação tramitam em separado no TSE em favor da cassação da chapa Dilma/Temer. O presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), disse que a prisão de Santana é o “mais grave acontecimento de vinculação da campanha da presidente Dilma Rousseff com o petrolão”. Segundo ele, o partido pedirá hoje ao TSE que solicite as provas obtidas pela Lava-Jato contra Santana para anexar ao processo. Os tucanos querem ainda que a Corte escute um dos operadores do esquema de desvios da Petrobras para saber qual o motivo de ele ter feito depósitos em contas de João Santana no exterior.

No Palácio do Planalto, a análise é de que a associação de Santana à corrupção desgasta ainda mais o governo, que já está enfraquecido com as crises econômica e política, além do impeachment que sofre da Câmara. “É como jogar gasolina no fogo”, afirmou um assessor ligado à Presidência.

Outra tese levantada por interlocutores do terceiro andar do Planalto, onde estão os principais ministros da articulação, é que a nova fase da Operação Lava-Jato possa ser utilizada para trazer apoio popular para esquentar o debate do impeachment, que parecia esquecido por deputados na Câmara.

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que é competência da Polícia Federal explicar os supostos pagamentos irregulares recebidos por Santana. “Cabe a Polícia Federal saber quais foram as motivações dos pagamentos aos quais a própria Polícia Federal se refere e por isso o juiz Moro decretou a temporária do João Santana”, disse o ministro,

OPERAÇÃO ACARAJÉ

A 23ª fase da Operação Lava-Jato tem o marqueteiro do PT João Santana como principal alvo

AÇÕES
» 51 mandados judiciais expedidos pela Justiça
» 38 de busca e apreensão
» 2 de prisão preventiva
» 6 de prisão temporária
» 5 de condução coercitiva
» 300 policiais federais
» Bloqueio judicial de RS 25 milhões de contas de João Santana, da mulher, Mônica, de duas empresas dele e de campanhas do PT.

ESTADOS
» Rio de Janeiro (Angra dos Reis, Petrópolis e Mangatiba)
» São Paulo (Campinas e Poá)
» Bahia (Salvador e Camaçari)

PRESOS
» Zwi Skornicki (preventiva), engenheiro apontado como operador do esquema bilionário de corrupção na Petrobras. Teria operacionalizado pagamentos de propina no exterior.
» Vinícius Veiga Borin (temporária), administrador de empresas ligado a offshores controladas pela empreiteira Norberto Odebrecht
» Maria Lúcia Guimarães Tavares (temporária), funcionária da Odebrecht
» Marcelo Rodrigues (temporária), operador do esquema de corrupção

Estão fora do Brasil
» João Santana (temporária), marqueteiro do PT nas últimas três eleições presidenciais
» Mônica Moura, mulher e sócia de
João Santana na Polis Propaganda e Marketing LTDA
» Fernando Migliaccio (prisão preventiva), funcionário da Odebrecht
» Benedicto Barbosa (temporária), diretor-presidente da Construtora Norberto Odebrecht

HISTÓRICO
Para quem João Santana trabalhou no Brasil

» 2002 – Delcídio do Amaral
» 2004 – Gilberto Maggioni (Prefeitura de Ribeirão Preto) e Vander Loubet (Prefeitura de Campo Grande)
» 2006 – Lula (presidência)
» 2010 – Dilma Rousseff (presidência)
» 2012 – Fernando Haddad (Prefeitura de São Paulo)
» 2014 – Dilma Rousseff (presidência)

Clientes no exterior
» 2009 – Maurício Funes (El Salvador)
» 2012 – Danilo Medina (República Dominicana), Hugo Chávez (Venezuela), José Eduardo Santos (Angola)
» 2014 – José Domingo Arias (Panamá)

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