PTB substitui deputado que votou contra Cunha no Conselho de Ética

O PTB substituiu no Conselho de Ética da Câmara o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que havia votado a favor da continuidade do processo de investigação do presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Quem passará a ocupar a vaga de membro titular da bancada será o deputado federal Nilton Capixaba (PTB-RO).

Ele próprio já foi alvo de processo no colegiado, que resultou na aprovação de um relatório pela cassação do seu mandato em 2006. O motivo foi a acusação de envolvimento com a chamada “máfia dos sanguessugas”, como ficou conhecido o escândalo de compra de ambulâncias superfaturadas com emendas parlamentares. O processo não teve continuidade porque a legislatura terminou e, na ocasião, Capíxaba não foi reeleito para um novo mandato.

A troca no conselho foi definida pelo líder da legenda na Casa, Jovair Arantes (PTB-GO), aliado de Cunha.

Na próxima terça-feira (16), o órgão se reúne para retomar o caso de Cunha, que voltou à estaca zero com a anulação da votação que aprovou o parecer preliminar do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), pela continuidade do processo.

O relatório inicial havia sido aprovado por um placar apertado (11 votos a favor e 9 contra) e a mudança na composição do colegiado, formado por 21 parlamentares, eventualmente poderá ter impacto no resultado de uma nova votação. Em caso de empate, cabe ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA) dar o voto de minerva.

Nilton Capixaba não quis dizer como pretende votar no processo, argumentando que antes precisa se inteirar do seu teor.

O que está sendo falado do processo, realmente é uma coisa grave, só que alguns membros estão indo para o lado pessoal.”

Deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), indicado pelo partido para ocupar vaga no Conselho de Ética

Ele admitiu, porém, que vê como “graves” as notícias veiculadas na imprensa sobre o caso e disse que “alguns membros” levam para o “lado pessoal”.

“Na verdade, o que está sendo falado do processo, realmente é uma coisa grave, só que alguns membros estão indo para o lado pessoal, estão esquecendo que a Casa tem um regimento”, disse, em referência às críticas à direção do Conselho de Ética feitas por aliados de Cunha sobre o andamento do caso.

“Agora, se o que está sendo noticiado for o que está no processo, é grave o assunto”, completou sobre as acusações envolvendo o presidente da Câmara.

O líder do meu partido pediu a vaga. Eu não vou ficar brigando com ele por causa de uma vaga. A vaga é do partido e não vou criar caso.”

Deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), substituído por Nilton Capixaba no Conselho de Ética

Pelas regras do regimento interno da Câmara, os membros do Conselho de Ética só podem ser substituídos em caso de renúncia do próprio integrante, independentemente do motivo, morte ou perda do mandato. O objetivo é blindar os deputados que compõem o órgão de pressões externas dos partidos.

Arnaldo Faria de Sá explicou que abriu mão da vaga a pedido do líder do PTB. “O líder do meu partido pediu a vaga. Eu não vou ficar brigando com ele por causa de uma vaga. A vaga é do partido e não vou criar caso”, afirmou.

Perguntado se o que motivou a substituição foi o fato de ter votado a favor da continuidade do processo que investiga Cunha, o deputado disse que não recebeu “cobranças” pelo posicionamento. “Acho não. Quando eu votei, ele não me cobrou nada, não”, afirmou.

A reportagem também procurou o líder do PTB, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta. O ofício assinado por Jovair Arantes solicitando a substituição de Faria de Sá data de 4 de fevereiro e foi encaminhado ao Conselho de Ética na semana passada.

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Redação
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