Zika: Com diagnóstico clínico, número de casos suspeitos aumenta em Valadares

UPA de Valadares: concentrando atendimento das doenças relacionadas ao mosquito. (Foto: Leonardo Morais/Hoje em Dia)
UPA de Valadares: concentrando atendimento das doenças relacionadas ao mosquito. (Foto: Leonardo Morais/Hoje em Dia)

Quando começou a ter febre, dor nas articulações e músculos, a vendedora Franciele Martins, de 27 anos, não teve dúvida. Correu para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Vila Isa em busca de medicação contra o zika vírus.

A maior preocupação dela era com a amamentação da filha de 4 meses, que foi suspensa pelo médico. “Estava vigilante e tomei todas as precauções, mas não escapei do Aedes aegypti. Mas, melhor eu ficar doente do que a Iasmin”, disse Franciele, se referindo à filha.

Como ela, o autônomo Anderson Rizzon, de 37, teve o diagnóstico clínico (pelos médicos) para zika. Há uma semana, ele começou a ter enjoo, coceira, manchas na pele, inchaço nas articulações e pensou que tivesse contraído dengue pela terceira vez. “Estou com zika”.

Escorado no balcão da UPA, que virou referência em Valadares no tratamento de doenças causadas pelo mosquito, Anderson reclamou de dormência nos lábios e nariz e das oscilações na pressão arterial. “Como ninguém conhece direito os danos que o vírus da zika provoca no organismo, estou preocupado”.

Com sintomas semelhantes, a dona de casa Carmelita Gonçalves de Oliveira, de 58, afirmou que muita gente foi contaminada pelo Aedes aegypti no distrito de São Vítor, onde ela mora.

Investigação

Por causa do avanço dos casos da dengue e zika, as unidades de saúde de Governador Valadares, que tem 270 mil habitantes, estão superlotadas. O município é referência para outros 85 da região, ou seja, cerca de 1,5 milhão de pessoas em busca de atendimento médico diariamente.

Neste ano (até 14 de fevereiro), foram notificados em Valadares 1.436 casos suspeitos de zika, 629 de dengue e 70 de febre chikungunya. Além dos diagnósticos clínicos dos quadros de zika, 32 casos de dengue foram confirmados. As demais notificações são investigadas.

A evolução é alarmante, se comparado com os números de 2015: foram registrados 1.369 casos suspeitos de dengue na cidade, 54 de zika e três de chikungunya. Como em 2016, não houve confirmação de morte no ano passado.

Notificação da doença passa a ser compulsória no Brasil

Desde nessa quinta (18) é compulsória a notificação de casos de doenças relacionadas ao vírus da zika no país. A medida foi publicada na edição dessa quinta (18) do “Diário Oficial da União”. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Castro, um dos objetivos da medida é observar casos de microcefalia associados ao vírus.

Na prática, significa que serviços de saúde públicos e privados estão obrigados a comunicar tanto os registros suspeitos quanto os casos confirmados da doença – em gestante ou não – e eventuais óbitos decorrentes.

A falta de notificação vinha resultando em subdimensionamento do problema no país, como mostrou o Hoje em Dia na quarta-feira. Em Governador Valadares, por exemplo, seguindo protocolo até então em vigor, a prefeitura notificava casos suspeitos quando o paciente apresentava dois ou mais sintomas da doença. Os dados, porém, não eram encaminhados à Secretaria Estadual de Saúde (SES), uma vez que não havia essa obrigatoriedade.

De acordo com a SES, não é possível afirmar que Valadares é endêmica para o zika vírus porque ainda não há confirmação laboratorial da circulação no município, que soma 1.436 casos suspeitos e notificados da doença.

FONTEHoje em Dia
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Redação
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